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ATAQUE A ÔNIBUS EM PIRACICABA COMPLETA 4 ANOS EM MEIO A IMPASSE POR INDENIZAÇÕES

Publicada em: 21/06/2026 23:25 -

Foto: Reprodução/Redes Sociais

O atentado que resultou na morte de três pessoas e deixou outras três feridas no interior de um ônibus do transporte coletivo de Piracicaba (SP) completou exatamente quatro anos neste domingo, 21 de junho de 2026. Os desdobramentos jurídicos na esfera cível continuam sem um desfecho na comarca. Sobreviventes e parentes das vítimas movem ações na Justiça para cobrar indenizações por danos morais, estéticos e materiais, enfrentando um embate técnico sobre as responsabilidades civis do episódio. No âmbito criminal, o caso já foi encerrado com a aplicação de uma medida de segurança ao autor dos ataques.

O crime ocorreu em 21 de junho de 2022, quando um homem armado com uma faca invadiu o ônibus da linha 444 – TCI / Sônia, que seguia em direção ao bairro Vila Sônia. Enquanto o veículo trafegava pela Avenida Armando de Salles Oliveira, na região central da cidade, o agressor desferiu os golpes, provocando pânico entre os passageiros. O homem foi contido e preso em flagrante pelas forças de segurança logo após o ataque.

O atentado resultou na morte de Adriana Coelho da Silva, de 42 anos; Roseli Ramalho Ferreira, de 55 anos (funcionária do Sindicato dos Metalúrgicos); e Valdemar da Silva Venâncio, de 68 anos. Entre os feridos, um rapaz de 28 anos sofreu lesões graves e uma idosa de 60 anos apresentou quadro estável após o atendimento médico. Uma terceira pessoa que estava no coletivo precisou de amparo após sofrer uma crise nervosa no momento do incidente.

Na esfera criminal, o processo contra o autor do crime foi concluído com uma sentença de absolvição imprópria. Após a realização de laudos psiquiátricos, a Justiça declarou o réu inimputável devido a transtornos mentais graves, constatando que ele não tinha capacidade de compreender o caráter ilícito de seus atos no momento do atentado. Com isso, a pena de prisão convencional foi convertida em Medida de Segurança por tempo indeterminado, e o homem segue internado em um hospital psiquiátrico judiciário do Estado, onde passa por exames periódicos para avaliar a cessação de sua periculosidade.

Com o encerramento do processo penal, as discussões jurídicas migraram para as Varas Cíveis de Piracicaba. Um dos casos que tramitam na comarca é o da aposentada Maria Adelina Gomes da Silva, de 64 anos, que perdeu a filha, Adriana Coelho da Silva, no ataque e sofreu lesões permanentes no braço. A defesa da sobrevivente pleiteia R$ 1 milhão em reparação por danos morais, corporais e estéticos, sustentando que houve falha na prestação de serviço e na vigilância dos usuários.

As ações indenizatórias esbarram em um impasse de argumentos entre a empresa e o poder público. A concessionária TUPi Transporte argumenta na Justiça que o atentado configurou um "ato de terceiro" imprevisível e que a segurança pública é um dever exclusivo do Estado, eximindo a companhia de culpa pelo ocorrido dentro do veículo. Já a Prefeitura de Piracicaba defende nos autos que a responsabilidade primária de fiscalização do sistema e de zelo pela integridade dos passageiros recai sobre a concessionária privada que opera o serviço no município. O andamento das ações cíveis aguarda a conclusão de perícias técnicas determinadas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

Texto e Publicação Danilo Telles/Jornalsita | Grupo Metropolitana

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